Choque de Realidade


Eu pretendia que essa minha postagem fosse sobre como se tira um visto para Portugal e prometo que ainda irei escrever sobre isso, mas agora quero falar sobre outra coisa. Hoje eu estava preparando o discurso que apresentarei ao meu chefe como motivo de eu querer que esta seja minha ultima semana no estágio. Ele consistia em, basicamente, dizer que falta menos de um mês para que eu embarque num voo rumo a Portugal e que eu preciso de um tempo para organizar toda a minha vida até lá. E foi aí que me atingiu: falta menos de um mês para que eu embarque em um voo rumo a Portugal. Menos de um mês. Menos de um mês para que eu fique fora de casa por um ano. Um ano inteirinho. UM ANO. 

Sei que pode parecer estúpido o que eu vou dizer agora, mas a minha ficha ainda não tinha caído. Eu me inscrevi para essa bolsa por um impulso, nem achei que ía dar em nada. De repente, eu me vi tão envolvida com tudo o que eu precisava organizar para consegui-la, com todo o vai-e-vem emocional de "agora pode ser que você consiga e agora pode ser que não", que, no fim das contas, quando tudo começou a dar certo, aconteceu tão rápido que eu não tive tempo de parar e refletir o que um ano fora de casa representa. Todo mundo ficava me perguntando "eita, como você vai se virar um ano sem seus pais? Está preparada?". Pois é. Eita mesmo, como é que eu vou me virar um ano sem meus pais? Eu sei que será uma experiência muito enriquecedora e, não me leve a mal, eu estou super ansiosa. Mas eu comecei a pensar no que significa morar fora por um ano. Eu não vou ter meus pais para me ajudar quando eu precisar, eu não vou poder conversar com eles o tempo todo sobre as coisas legais que aconteceram no meu dia e nem sobre as coisas não tão legais. Quem vai implicar comigo por deixar meu quarto bagunçado? E não é só dele que eu irei sentir falta. Tem todos os meus amigos, aqueles que eu vejo todos os dias e aqueles que moram longe. Pessoas que fazem parte da minha vida há anos e aquelas que comecei a conhecer melhor só agora, mas que irão fazer uma falta tremenda na mesma. Por sorte algumas amigas estão indo comigo, mesmo que não para o mesmo país, pelo menos estaremos todas na Europa. Mas e aqueles que irão ficar? E nem me deixe começar a falar dos meus animais de estimação. Eu não sei o que é a minha vida sem um bichinho desde que eu nasci. Sempre tive animais ao meu redor. É sempre bom ter algo quentinho e peludo para acariciar quando se está triste, ou para fazer você rir de alguma palhaçada da qual só eles são capazes. Sissi, Duma, Haylla e Dalila, o que vai ser da minha vida sem vocês me saudando ao chegar em casa com aqueles olhos enormes que quase perguntam "você quer brincar comigo?" ou "você quer fazer um carinho em mim? Porque eu quero que você faça!"? 

Novamente, não me entenda mal, eu estou super feliz com essa oportunidade. inclusive porque metade da minha família é portuguesa e eu estou muito animada com a possibilidade de conviver mais de perto com eles. De poder fazer parte da vida do meu sobrinho de forma mais presente, mesmo que por apenas um ano. Ele até me convidou para ir assistir à competição de ciclismo dele no dia 23 de setembro e espero poder ir! Vou torcer muito por ele como a tia babona que sou. Mas saiba que não é fácil me dar conta das coisas que estou deixando aqui. Pelo menos não é como das vezes em que eu me mudei definitivamente. Dessa vez eu irei voltar. Irei voltar um pessoa diferente, espero eu, com uma nova percepção do mundo, com novas experiências de vida, e, se tiver sorte, como uma pessoa melhor. Irei voltar e isso me deixa mais feliz ainda por estar indo. 

Pensar demais é complicado, eu tenho esse problema. As vezes é melhor simplesmente ir deixando as coisas acontecerem. No momento me encontro num conflito de sensações, mas até mesmo esse conflito é algo que preciso sentir neste momento, acredito. O medo do desconhecido, o pesar pelas coisas que eu vou deixar para trás, a ansiedade e a curiosidade pelo que está por vir. Tudo faz parte dessa experiência.

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1 comentários:

Flofa disse...

Oww gata, eu acho que consigo entender o que você está passando, mesmo sem nunca ter vivenciado essa experiência. Afinal, pretendo passar por isso um dia e consigo perfeitamente me imaginar pensando as mesmas coisas que você pensa agora... Meus pais, meus amigos, João Pessoa, minha vida, minha rotina, Buzu...
Mas, como você disse, isso faz parte de todo o processo. E todos os que estão ficando aqui no Brasil te apoiam nessa empreitada, e vão esperar pacientemente para que você volte cheia de novidades e novas experiências e, principalmente, feliz! E outra, viver a saudade é ruim, mas tem coisa melhor que matar uma grande saudade? Até a sua volta para casa vai ser uma grande experiência, tenho certeza. E além disso, fará com que tanto você valorize mais o que vai deixar aqui por um ano, como também o oposto disso! O medo pode ser uma coisa boa, contanto que você saiba enfrentá-lo! ^^
E já estou dando um sermão aqui, né? Mas enfim, gata, boa sorte! Vai ser uma experiência maravilhosa pra você em todos os aspectos!

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